“Lope”, o filme- produção hispano- brasileira


Fui assistir “Lope” sem muitas pretensões, mal se falou desse filme por aqui. Tenho que dizer que saí do cinema maravilhada com essa produção hispano- brasileira, com direção do brasileiro Andrucha Waddington e participação de Selton Melo e Sônia Braga.

“Lope” conta a história da vida do poeta e dramaturgo Félix Lope de Vega y Carpio (Madrid, 25-09-1562/ 27-09-1635) que foi admirado até por Miguel de Cervantes, que parecia sentir inveja daquele jovem que trouxe uma nova forma de fazer e entender o teatro e a poesia. A sua vida pessoal foi atribulada, com vários amores que ficaram refletidos nas suas escrituras. Por culpa de um desses amores acabou sendo desterrado, teve que abandonar a Espanha por ter difamado uma família importante de Madri: Elena Osorio era separada e seu pai buscava um pretendente rico para a filha, só que ela se apaixonou por Lope, artista e pobre. Seu pai o contratou e Lope pagava seus favores com comédias que eram produzidas por Jerónimo Velázquez, pai de Elena. Lope decide enfrentar Velázquez, mas Elena obediente, decide fazer a vontade do pai e ficar com Perrenot Granvela, sobrinho de um poderoso membro da igreja católica na época, o cardenal Ganvela. Lope então decide se vingar e escreveu esses versos de “um pai” que vende a filha:

Una dama se vende a quien la quieraen almoneda está. ¿Quieren compralla?Su padre es quien la vende, que, aunque calla,su madre la sirvió de pregonera…

A sua produção literária é extensa e rica, tinha uma facilidade enorme para escrever. Cervantes, apesar da antipatia que nutria por Lope, escreveu “é um monstro da natureza”, para referir- se à sua enorme capacidade de produção. Era admirado e respeitado pelos escritores da época e pela população, que simplesmente utilizava a frase “É de Lope”, para justificar quando algum poema ou obra de teatro eram de qualidade.

Seus últimos anos foram tristes, com sua esposa Marta de Nevares louca e várias outras tragédias pessoais, como a morte de um filho e um neto. A casa onde morou em Madri funciona hoje como museu, A Casa- Museu Lope de Vega, que ele comprou em 1610 e viveu os últimos 25 anos da sua vida. Curiosamente a casa fica na “Calle Cervantes”, a entrada é gratuita.

Lope de Vega

O filme é bastante fiel à vida de Lope, é dinâmico, conseguiu manter- me atenta todos os segundos. A única coisa que não gostei foi a fotografia do filme, com muito pouco contraste, imagens claras demais, envelhecidas, nao gostei do efeito. Acho que se tivessem filmado com cores reais teria ficado muito mais bonito. No mais, vale muito à pena. Deixo aqui um maravilhoso poema que aparece no filme, que me emocionou. É a mais perfeita definição de amor que encontrei até agora, pelo menos a mais real e aproximada da realidade: “Desmayarse” (“Desmaiar- se”):

Desmayarse, atreverse, estar furioso,
áspero, tierno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, difunto, vivo,
leal, traidor, cobarde y animoso;

no hallar fuera del bien centro y reposo,
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,
enojado, valiente, fugitivo,
satisfecho, ofendido, receloso;

huir el rostro al claro desengaño,
beber veneno por licor süave,
olvidar el provecho, amar el daño;

creer que un cielo en un infierno cabe,
dar la vida y el alma a un desengaño;
esto es amor, quien lo probó lo sabe.

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