“A insustentável leveza do ser”, Milan Kundera


Considerado um dos melhores romances do século XX,   A insustentável leveza do ser mistura amor, sexo, política, história, tragédia, ambientados em Praga e Zurique em plena Segunda Guerra Mundial. Tudo isso contado de duas maneiras: um narrador- observador e um narrador- personagem,  duas perspectivas dos mesmos fatos sentidos de forma diferente.

Milan Kundera é checo naturalizado francês, vive em Paris desde 1975. Nasceu no Dia da Mentira (1º de abril) em 1929. (foto: papelenblanco.com)

Eu gostei mais da forma do que do conteúdo. Os personagens masculinos exageradamente sexuais, me provocaram um pouco de repulsa. Se bem que se for verdade que os homens pensam em sexo pelo menos treze vezes por dia… kundera conseguiu o seu objetivo.

A insustentável leveza do ser também me provocou em diversos momentos um certo estranhamento. O personagem de Tereza é difícil de entender, nao sabemos bem se ela vive seus pesadelos, se são reais ou imaginação. O mais fácil de entender é Karenine, sua cadela.

O tema do Comunismo também está muito presente no livro, e é narrado como uma coisa muito negativa, como não poderia deixar de ser na época em que retratou o escritor: o comunismo fascista de Stalin, que implantou o terror na União Soviética.

A palavra “kitsch” provavelmente foi popularizada por causa de Kundera que usa e dissemina o termo em vários momentos do livro. Destaco um trecho que serve para o Brasil nesse momento, em época eleitoral: ” O ‘kitsch’ é o ideal estético de todos os políticos, de todos os partidos e de todos os movimentos políticos”(p. 286) são bregas, fora de moda?

O livro foi adaptado ao cinema por Philip Kaufman, aqui podemos ver um trecho:

O romance é rico em referências, principalmente filosóficas. O autor cita Parmenides, Nietzsche, Heráclito, Platao…e ainda Sthendal, Beethoven, Tolstói, Sófocles. Um autor culto e bem documentado.

O peso pode ser positivo e a leveza, negativa. A dualidade de Parmenides, peso negativo e leveza positiva, é contradita no livro de Kundera. Tomas, Teresa, Sabina e Franz experimentaram as duas vertentes do peso e as duas vertentes da leveza. A liberdade pode ser ruim, o compromisso pode ser bom e vice- versa. De tudo, eu fico com a primeira página do livro que cita o “eterno retorno” de Nietzsche, e com o título, que são geniais.

Preço: 20 euros

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8 Comments »

  1. Parabéns pelo post, Nanda! Adoro o Kundera, por motivos bem distintos uns dos outros. Acho a escrita dele além de filosófica, muito psicológica. É a questão da identificação com acontecimentos e pessoas, os conflitos com a vida e a existência. Acho-o um autor bastante talentoso no que diz respeito a isso.

    Ah, esqueci de dizer antes que amei o novo template do blog. Está bem lindo!

    Bjo!

  2. Gostei do seu blog e cheguei nele pelo título, que estava disponível em uma das páginas do WordPress. Li esse livro há alguns anos e quero ler novamente. Concordo plenamente com seu gosto, a primeira página e o título são ótimos. O “kitsch”, ainda, me causa dúvida; apesar de ser definido com algo “brega”, desconfio que há mais profundidade nesse signo de linguagem. Conhecer Nietzsche ajuda fundamentalmente a entender a história. Penso que Tomas opta pela leveza (negativo) ao ver vantagem em não ver o filho e os pais. Depois surge Teresa na sua vida, por puro acaso, para pesar (positivo) na existência daquele homem que, antes, procurava conhecer apenas o “um por cento” que uma mulher tinha de diferente das outras: apreciava as filigranas… Interessante também que a morte de ambos, na narrativa do livro, não se dá ao final, mas antes… O tempo seria tão leve que quase não existiria, tal qual aquela guerra na África – que ele cita no início do livro – que matou mais de trezentos mil homens, e ninguém sabe da existência… Como diria Nietzsche, se não houver o eterno retorno (que peso!), os fatos seriam cinicamente permitidos?
    Obrigado por me fazer re(viver)memorar A Insustentável Leveza do Ser.
    Boa sorte,
    Zé.

  3. Já peguei neste livro pra ler não li ainda porque estava lendo outro(A volta do parafuso de Henry James) e depois da primeira página em que cita Nietzsche tive que deixar de lado pra um dia voltar a ler novamente… gostei muito mas realmente a ideia de eterno retorno é assustador…hehehe XD

    Farei mais visitas… abraço! XD

  4. Parabéns pelo ótimo blog!
    Da insustentável leveza, gostei do livro e do filme (em uma das boas adaptações de literatura para o cinema)dirigido por Philip Kaufman com Daniel Day-Lewis e Juliette Binoche. Claro, Kundera é machista (e às vezes, um tanto misógino) como quase todos os homens deste mundo… mas escreve livros e, também às vezes, é capaz de divertir-nos.

    Bjs.

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