Resenha: “O mundo de Sofia”, Jostein Gaarder


Jostein Gaarder esteve recentemente na Feira do Livro de Madri, cuja temática foi a literatura nórdica. Gaarder nasceu em Oslo, na Noruega. Ele escreve romances e também livros infantis, quem sabe influenciado por sua mãe que também é escritora desse gênero. Seu pai é diretor de uma escola, ou seja, uma família envolta no mundo das Letras.

Jostein Gaarder

Para você que se assusta só em ouvir a palavra “Filosofia”, que pensa que é uma coisa chata ou complicada demais, então esse é um livro perfeito para tirar essa sua má impressão. A Filosofia é  uma Ciência Humana que  desvenda e descobre muitos mistérios da natureza, dos homens e das sociedades desde a Antiguidade até os dias atuais. Sócrates, Platão e Aristóteles são alguns desses filósofos antigos que nos influenciam até hoje não só na área da Filosofia, como na Medicina, Biologia, Política e na Química.  Demócrito descobriu o “átomos” numa época sem tecnologia, só com o uso da razão há quase 2500 anos atrás.

“Mais inteligente é aquele que sabe que não sabe” (Sócrates)

“O mundo de Sofia” tem como protagonista uma menina de 14 anos, Sofia, que  leva uma vida tranquila ao lado da mãe e de repente começa a receber cartas sem remetente, um curso de filosofia de um misterioso professor. Nós passamos a ser Sofia e tentamos responder as questões que o professor vai lançando, “Quem vem antes, o ovo ou a galinha”, “A alma é imortal?”, “Por que chove?”, “O que o homem precisa para viver uma boa vida?”, entre outras.

Um livro recomendado para jovens e adultos, com uma linguagem muito acessível, sem complicações, onde as lições deixadas nos fazem refletir sobre a vida, sobre nós mesmos e o papel que desempenhamos no mundo.

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O blog do Saramago


O último texto do Saramago no seu blog:

Nem leis, nem justiça

Fevereiro 13, 2010

Em Portugal, na aldeia medieval de Monsaraz, há um fresco alegórico dos finais do século XV que representa o Bom Juiz e o Mau Juiz, o primeiro com uma expressão grave e digna no rosto e segurando na mão a recta vara da justiça, o segundo com duas caras e a vara da justiça quebrada. Por não se sabe que razões, estas pinturas estiveram escondidas por um tabique de tijolos durante séculos e só em 1958 puderam ver a luz do dia e ser apreciadas pelos amantes da arte e da justiça. Da justiça, digo bem, porque a lição cívica que essas antigas figuras nos transmitem é clara e ilustrativa. Há juízes bons e justos a quem se agradece que existam, há outros que, proclamando-se a si mesmos justos, de bons pouco têm, e, finalmente, não são só injustos como, por outras palavras, à luz dos mais simples critérios éticos, não são boa gente. Nunca houve uma idade de ouro para a justiça.

Hoje, nem ouro, nem prata, vivemos no tempo do chumbo. Que o diga o juiz Baltasar Garzón que, vítima do despeito de alguns dos seus pares demasiado complacentes com o fascismo sobrevivo ao mando da Falange Espanhola e dos seus apaniguados, vive sob a ameaça de uma inabilitação de entre doze e dezasseis anos que liquidaria definitivamente a sua carreira de magistrado. O mesmo Baltasar Garzón que, não sendo desportista de elite, não sendo ciclista nem jogador de futebol ou tenista, tornou universalmente conhecido e respeitado o nome de Espanha. O mesmo Baltasar Garzón que fez nascer na consciência dos espanhóis a necessidade de uma Lei da Memória Histórica e que, ao abrigo dela, pretendeu investigar não só os crimes do franquismo como os de outras partes do conflito. O mesmo corajoso e honesto Baltasar Garzón que se atreveu a processar Augusto Pinochet, dando à justiça de países como Argentina e Chile um exemplo de dignidade que logo veio a ser seguido. Invoca-se aqui a Lei da Amnistia para justificar a perseguição a Baltasar Garzón, mas, em minha opinião de cidadão comum, a Lei da Amnistia foi uma maneira hipócrita de tentar virar a página, equiparando as vítimas aos seus verdugos, em nome de um igualmente hipócrita perdão geral. Mas a página, ao contrário do que pensam os inimigos de Baltasar Garzón, não se deixará virar. Faltando Baltasar Garzón, supondo que se chegará a esse ponto, será a consciência da parte mais sã da sociedade espanhola que exigirá a revogação da Lei da Amnistia e o prosseguimento das investigações que permitirão pôr a verdade no lugar onde ela tem faltado. Não com leis que são viciosamente desprezadas e mal interpretadas, não com uma justiça que é ofendida todos os dias. O destino do juiz Baltasar Garzón é nas mãos do povo espanhol que está, não dos maus juízes que um anónimo pintor português retratou no século XV.


Morre José Saramago aos 87 anos


O meu ídolo maior das letras portuguesas, José Saramago, foi “embora” hoje na sua residência situada na Ilha de Lanzarote,  Espanha. Acompanhava cada lançamento literário seu com grande ansiedade: “Caim”, o último. Saramago também escrevia um blog, seus posts foram reunidos em dois volumes: “O cadernos” e O caderno 2″. com prefácio de Umberto Eco.

Saramago na Ilha espanhola de Lanzarote, onde viveu até os seu último dia. (foto Pedro Walter)

Hoje a literatura portuguesa perdeu um dos seus maiores e mais originais escritores- Portugal, que muitas vezes não o entendeu, não soube aceitar as críticas, a ironia desse escritor que levou o nome de Portugal para o mundo. O escritor que começou a publicar tarde, por volta dos 60 anos, é o único que chegou ao topo, o único representante da língua portuguesa a ganhar um prêmio Nobel de literatura.

Difícil falar em Saramago no passado, porque ele está e estará presente (para sempre).

Arturo Pérez- Reverte


Arturo Pérez- Reverte, a grande estrela da Feira do Livro de Madri 2010. Uma fila quilométrica para pegar um livro autografado pelo autor, comprova o seu êxito no mundo das letras. O autor vestia  um blazer elegante, apesar dos 35º na capital espanhola. Arturo recebeu seus leitores em pé, os cumprimentava com um aperto de mão, em uma tenda armada exclusivamente para ele no Parque del Retiro.

Sorriso no rosto e a famosa e imprescindível Coca- Cola para refrescar:

Arturo Pérez- Reverte na Feira do Livro de Madri, em 6 de junho de 2010.

Até 1993, o escritor era jornalista, depois dedicou- se exclusivamente à literatura.  Nascido em Cartagena, Espanha (1951) é membro da Real Academia Espanhola. Veja a biografia em sua web oficial.


Sua bibliografia consta de 25 obras, a última “El asédio”, um romance histórico ambientado em Cádiz, em 1812, e conta a história da Guerra da Independência.

Arturo Pérez- Reverte autografando um exemplar de “El Asédio”, seu mais recente livro.

Susana Herrero Gásquez


Entusiasmo. Esse seria o adjetivo para essa escritora nascida em Lyon, na França (1965). Susana Herrero tem uma energia e beleza cativantes.  A pele bronzeada, a simpatia e humildade estampadas no seu sorriso. A despretensão, a falta de  estrelismo e a vontade sincera de saber se eu gostaria do livro, a fez deixar seu número de celular. Mas esse, não divulgo.

Susana é uma escritora novata,  seu primeiro romance “La ventana del ángel” (2006) uma auto- edição apresentado agora na Feira do Livro de Madri. Ela é casada, mãe do dois filhos. Transportou para “La ventana del ángel”, sua própria experiência de perda, o falecimento da sua mãe e a crença da vida após a vida.

O protagonista do livro é Álvaro, que fica em coma durante meses. O livro começa com o protagonista despertando desse coma e sabendo que havia perdido a namorada Laura, a mãe que faleceu e o seu trabalho. A análise completa do livro daqui a alguns dias.

A autora autografando o meu exemplar de “La ventana del ángel”, na Feira do Livro de Madri, 02-06- 2010: “Para Fernanda con aprecio y afecto desde su humilde autora” (Para Fernanda com apreço e afeto da sua humilde autora)

Feira do Livro de Lisboa 2010


Está a acontecer simultâneamente com a de Madri, a Feira do Livro de Lisboa, com a presença de grandes autores portugueses como António Lobo Antunes, Margarida Rebelo Pinto, Inês Pedrosa e outros. Ano passado estive na Leya, esse ano acho que não vai ser possível, encerra no dia 20 de junho.

O ano passado eles deram 10% de desconto nos livros, esse ano estão com a promoção ” leve 4, pague 3″, nada mal!

Veja os dias e horários das sessões de autógrafos, aqui.

Alberto Vázquez- Figueroa


O charuto de um lado e um copo de Coca- Cola na mão para combater o calor de mais de 30º na capital espanhola. Descontraído, sem pressa, com a paz e a tranquilidade de alguém que viveu a vida de forma intensa e completa. Escritor de romances históricos, sessenta e oito obras, o tempo de uma vida. A temperatura deu- me a oportunidade para comentar que Madrid fazia tanto calor como no Brasil, meu país. “Brasil!” A expressão dele foi essa da foto abaixo:

Admiração. É o que sinto por Alberto Vázquez- Figueroa, nascido em Santa Cruz  de Tenerife (11-10-1936) é  uma pessoa admirável que conseguiu transformar a dor de uma infância muito difícil em luta, trabalho e êxito. O pai exilado na África por motivos políticos, a liberação e a tuberculose que o deixou num hospital por muitos anos, o falecimento da mãe e 0 tio que o acolheu num forte militar  na África em que era o administrador. Foi esse tio que o introduziu no mundo literário com livros de aventura. (Wikipédia)

Aos 16 anos saiu da África para estudar em Tenerife, sua terra natal. Com o dinheiro que ganhou como mergulhador, (trabalhou até com Jacques Costeau) foi estudar jornalismo em Madri. Não arranjou trabalho depois de formado e acabou comprando um velho barco e deu a volta ao mundo com seus ex- alunos de submarinismo. A viagem durou 14 meses e ele voltou com material suficiente para escrever um livro. (Wikipédia)

Alberto demostrou ser uma pessoa espontânea e divertida, contou- me que morou no Rio de Janeiro, em Copacabana, trabalhava como correspondente internacional e ganhava em dólares. Conheceu uma carioca “japonesa, alta e linda”, que lhe tirou o fôlego, foi uma semana intensa, que quase o “mata”. Lembrou do nome e sobrenome; também falou de outra mulher que o levou para ver a lua nas Cataratas do Iguaçú,  “foi uma das coisas mais lindas que já vi”, contou- me. Disse gostar do Rio, mas não muito de São Paulo “gente demais!”.

O autor e a sua dedicatória no meu exemplar de “Garoé”, seu mais recente livro: ” A Fernanda, ¡Adoro tu país! ¡Que recuerdos me trae! Un beso muy grande, Alberto ( “A Fernanda, Adoro seu país! Que lembranças me traz! Um beijo muito grande, Alberto”)

Fotos: Antonio D. J. Collado, proibida a reprodução sem prévia autorização.