Polén


A primavera na Espanha, sem dúvida, é a época mais bonita do ano por suas cores e temperatura agradável; contudo, as alergias provocadas pelo pólen suspenso no ar é um desagradável inconveniente dessa colorida estação do ano. O pólen que fecunda e dá vida às flores, também faz com que muita gente passe mal com as alergias respiratórias e cutâneas. Inclusive há gente que anda pelas ruas com máscara para evitar o pólen.

Esse ano a cidade de Madri está coberta com tulipas no centro da cidade e no Jardim Botânico:

A palavra pólen (do grego “pales” = “farinha” ou “pó”, Wikipédia) acaba com n, uma curiosidade da nossa língua já que maioria das palavras  nasaladas no final terminam com m.

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“Orgias”, Luis Fernando Veríssimo


Se eu já não tivesse lido “Comédias da vida privada”,  “Ed Mort”, “Comédias para se ler na escola” e outros, eu afirmaria que  L. F. Veríssimo é um escritor medíocre. Senti vontade de abandonar na metade do primeiro conto, de tão chato e aborrecido que é “Orgias”, conto que leva o mesmo título do livro. Mas como sou persistente segui até o final.

Luis Fernando Veríssimo fica naquela classe de escritores “bacaninhas”, mas sem nenhum tipo de genialidade. Eu poderia dizer que isso acontece porque temos como parâmetro o seu pai, Érico Veríssimo, e essa comparação  não lhe favorece, mas não é isso. A própria obra ganhou sozinha o status de medíocre,- meu parecer, obviamente. Luis Fernando não pode ser considerado como tal, é um bom cronista, mas esse livro é decepcionante, forçado, não convence.

O escritor gaúcho tentou ser engraçado, mas não conseguiu. Fala de algo que parece não entender bem. Como vai entender de um “bacanal” um senhor de 7o anos, casado há 40 anos e com três filhos?! Fazendo as contas em cima da época de publicação da 1ª edição do livro, 2005. Hoje o autor tem quase 75 anos.

“- Dona Teresa, eu…”

“Pintinho!”

“-Pinto, meu nome é pinto.”  (p. 13)

As tentativas de piada são tão bobas que senti vergonha alheia…sem mais comentários.

Veríssimo, Luis Fernando, Orgias, Dom Quixote, Portugal, 2008.

“Dia Internacional do Livro” com flor e livro


Ler é um prazer para muitos, uma obrigação desagradável para outros (que acabam rendidos com a leitura de um bom livro) mas todos concordam com os benefícios que a leitura traz: conhecimento, cultura, passatempo, diversão, prazer e a catarse: liberação de sentimentos que provocam uma espécie de “purificação”, fenômeno descrito pelo filósofo Aristóletes na Antiguidade; fora os benefícios gramaticais e retóricos. As pessoas que leem mais, têm mais facilidade de escrever e falar, porque desenvolvem mais recursos linguísticos e de conteúdo. A nível físico, a leitura exercita o cérebro, o torna mais ágil e alerta, ajuda na memória.

O Dia Internacional do Livro é comemorado no dia 23 de abril, uma tradição que começou na Catalunha , Espanha. Essa tradição manda que os homens presenteiem as mulheres com uma rosa e as mulheres aos homens com um livro. Também é o dia de São Jorge. A data começou a ser comemorada no dia 7 de outubro de 1926 por causa do nascimento de Miguel de Cervantes, mas  a UNESCO em 23 de abril de 1996 instituiu essa data por causa da morte de outros escritores como William Shakespeare, Cervantes e Josep Pla.

No Brasil, o Dia Nacional do Livro acontece no dia 29 de outubro.

Quantas palavras existem na língua portuguesa?


Léxico é o conjunto de lexemas de uma língua, ou simplesmente as palavras, o nosso vocabulário. O léxico da língua portuguesa é bastante extenso, mas utilizamos pouquíssimas palavras no nosso dia- a- dia.  No dicionário Aurélio Online estão catalogados  435.000 verbetes (“verbetes” são as palavras com seus significados no dicionário).

Também chamado de “pai dos burros”, o dicionário também deve ser lido, consultado e estudado por todos (e também por aqueles que vivem em outros países, pois as palavras vão sendo esquecidas) como forma de relembrar, conhecer e enriquecer o nosso vocabulário.

A palavra mais extensa do nosso idioma é: Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconitico (46 letras)  que significa: (pneumo- + -ultra- + microscópico + latim silex, -icis, pedra, pedra vulcânica + latim vulcanus, -i, fogo + coniose) s. f. Med. Doença pulmonar causada pela inspiração de cinzas vulcânicas (dicionário Priberam online)

Todos os dias são criadas novas palavras e esses novos vocábulos vão sendo incorporados às  novas edições dos dicionários,  os neologismos, como as palavras usadas na informática, como deletar.

Dicionários disponíveis na rede:

Priberam

Aurélio

Michaelis

O que é Saudade


“Saudade non ten tradución a ningunha língua. Compartida por galegos e portugueses, ten unha diferenza entre ambos. Para os portugueses é ausencia de calquera cousa; para os galegos só da terra, de Galiza, presenza que, aínda estando nela, non é completa. Dicía Rafael Dieste que unha vez nela (Galiza) a terra pide máis, algo que un non sabe o que mís é.”

“Saudade não tem tradução à nenhuma língua. Compartida por galegos e portugueses, tem uma diferença entre ambos. Para os portugueses é ausência de qualquer coisa; para os galegos só da terra, presença que, ainda estando nela, não é completa. Dizia Rafael Dieste que uma vez nela (Galiza) a terra pede mais, algo que a pessoa não sabe o que mais é.”

No encarte do cd “Saudade”, do grupo de música celta galego “Luar na Lubre”, da Galiza, Espanha.

“A trança de Inês”, Rosa Lobato de Faria


“Um não sei quê que nasce não sei de onde

Vem não sei como e dói não sei porquê”

Luis de Camões

Rosa Lobato de Faria nasceu em Lisboa em 1932 e faleceu recentemente, no último 02  de fevereiro aos 77 anos. Estava internada há uma semana por uma grave anemia, consequência de uma cirurgia que sofreu há 6 meses.

Era poeta, escritora, compositora e atriz.  Participou da primeira novela portuguesa “Vila Faia” (1983).

O livro “A trança de Inês” ( 2001) baseado na lenda de “Pedro e Inês”, narra a história de dois apaixonados que desejam, tentam, mas não podem ficar juntos por obra do Destino. São várias histórias simultâneas, os mesmos personagens vivendo em épocas diferentes, reencarnações e recordações dessas histórias que atormentam a Pedro, que está internado num hospício. As histórias acontecem num passado remoto, num passado recente, no presente e no futuro- sim, no futuro. Um amor atemporal, que vence as limitações do tempo.

A autora conta um sonho de Pedro, um sonho místico: ele entra numa sala onde pode escolher o seu Destino, antes de ser enviado para a próxima “viagem” que completaria a sua evolução. Só que nesse lugar não existe a memória, não existe a recordação de nenhum fato, só a intuição. Numa tela começam a aparecer palavras, ele só pode escolher uma, o seu Destino. Entre muitas palavras como “fortuna, poder, altruísmo, mar, música, etc”, sem saber o motivo ele escolhe “paixão”: Inês.

Um romance com clara tendência espírita: “a evolução não passa pelo que se vive mas pela forma como se vive aquilo que se tem que passar” (p. 137).

Nesse romance não- lineal, os diálogos são apresentados ao estilo “saramaguiano”, sem nenhuma pontuação e em letras minúsculas.

A vida de Pedro com Inês no futuro é a mais original e surpreendente. A autora criou uma sociedade muito bem estruturada no ano de 2090, onde as pessoas são  prescindidas em favor da natureza, que deve ser preservada a todo custo, numa sociedade onde o ser humano individualmente não tem valor. Os casais são selecionados por sua genética superior (inteligência, altura, beleza, histórico familiar de doenças, educação, etc) para poder procriar e existe um controle de natalidade rigoroso com o intuito de diminuir a população mundial, pois tanta gente prejudica a natureza.

Pedro escolheu a “paixão” como destino. E você? A gente pode mesmo escolher o nosso destino?

E a Rosa? A Rosa já foi para mais uma “viagem”- espero que o destino “Letras” tenha sido e seja bem feliz.

Faria, Rosa Lobato de, A trança de Inês, Leya, Alfragide, 2001.

UPDATE:  A história de Pedro e Inês que deu origem ao livro, aconteceu em Coimbra, Portugal, entre o rei e a criada nesse casarão na “Quinta das Lágrimas” (fotos de Acyro, do Flickr)

Curiosidades da Gastronomia Portuguesa


Que tal provar essas iguarias portuguesas?

Moelas de frango no Brasil também são apreciadas e preparadas de várias formas, inclusive em espetinhos e em farofas.

Pica- pau é um prato de bife, com ovo e batatas, clica na receita e na foto.

Pipis são miúdos, tal como a moela, coração e entranhas, geralmente comidos como tira- gosto.

Já os túbaros não têm nada a ver com tubarões não… é o prato mais exótico de todos: você provaria testículos de borrego (cordeiro)?! Então esse é o seu prato! Veja receita.

Bom apetite!