O bilinguismo em crianças imigrantes


Há muitas opiniões e estudos científicos na Internet sobre o bilinguismo em crianças imigrantes com pais imigrantes.

No meu caso particular,  sempre falo com a minha filha em português (às vezes em espanhol) e dessa forma ela não adquiriu o idioma (ela nasceu e cresceu na Espanha): entende, mas não fala. O que me faz pensar que o ambiente é muito importante no processo de aquisição da linguagem; só eu como interlocutora não foi suficiente para que ela  desenvolvesse a língua portuguesa (versão brasileira). Confesso que não forcei e nem induzi o processo: ela me responde em espanhol e eu não a forço que fale em português. Talvez se o pai fosse também brasileiro, ela teria tido mais êxito na aquisição do idioma- é o que normalmente acontece.

Moramos durante seis meses (apenas) em Lisboa e a minha filha com seis anos  aprendeu a falar o português com um sotaque perfeito, com nenhum sinal ou acento espanhol.  Passados seis meses já em Madri,  ela não esqueceu o idioma luso e continua a falar como uma verdadeira portuguesinha com meus pais em Lisboa. Concluo que as crianças podem aprender perfeitamente o idioma de outro país, como a um nacional, sem interferir na sua língua materna. São compartimentos diferentes e totalmente compatíveis, onde elas abrem as gavetas conforme a necessidade. Comigo ela nunca falou em português, porque sabe que eu sei espanhol.

Há opiniões diversas, mas já não tão contraditórias sobre o assunto,  como a do jornalista conservador alemão que diz que crianças imigrantes cujos pais não falam alemão, terão resultados ruins na escola, porque não aprendem bem o alemão. Em contrapartida, um estudo italiano (está em alemão) conclui que as crianças que sabem mais de um idioma, têm um melhor desempenho escolar, pois aprendem mais fácil devido à uma rede de células criadas para os idiomas, que depois de criada, fica mais fácil aprender qualquer idioma. O artigo científico pode ser comprado aqui por 15 dólares.

Uma vez aberto esse “canal” cerebral a facilidade de adquirir idiomas é muito alta, independentemente do grau de inteligencia da crianças como aponta a diretora de um colégio belga no País Vasco, que diz que crianças com QI elevado ou baixo aprendem idiomas com a mesma facilidade; também existem crianças com QI elevado que não conseguem aprender outro idioma, portanto, a aprendizagem de idiomas não depende do nível de inteligencia, mas do processo e do meio, opinião essa já particular. Também acredito que a criança cujos pais não falam o idioma local, irão aprender na escola a língua independente de que seus pais falem ou não o idioma, discordando totalmente do jornalista alemão já citado.

Uma opinião unânime e incontestável é essa sobre a facilidade de aquisição de um segundo idioma nas crianças, como afirma esse artigo que cita um estudo do departamento de neurologia do Memorial Sloan de Nova York, onde afirma que as crianças possuem um “circuito virgem, com potencial infinito, capaz de memorizar dois idiomas de forma simultânea na mesma região cerebral num único circuito”, ao contrário dos adultos que precisamos acionar áreas diferentes do cérebro, guardar as informações para depois traduzi- las.

Portanto, as crianças imigrantes com pais imigrantes não só aprendem, como têm facilidade para aprender , sem nenhum prejuízo. E com o idioma aprendido (em torno de seis meses pela experiência citada com a minha filha) não há justificativa para ter um pior desempenho escolar. Os pais imigrantes podem ficar tranquilos que seus filhos irão aprender tranquilamente o idioma do país de acolhida.

 

Anúncios

O novo acordo ortográfico em Portugal


No Brasil, a reforma ortográfica entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2009; o povo português mais hostil às mudanças,  será  obrigado a utilizar a nova maneira de escrever o português a  partir de 2010.

Para muitos portugueses, a nova ortografia não é mais a língua portuguesa, e sim o brasileiro– dizem de forma depreciativa (ver comentários nessa matéria do Público, jornal português). Para alguns dos que opinaram no artigo “Aplicar a nova ortografia em 2010 é uma precipitação?” é inclusive uma “humilhação” a língua portuguesa sofrer mudanças que se aproximam mais à variante brasileira, veja comentário “Quem colonizou”:

Quem colonizou?

Mais uma vez Portugal rebaixa-se, porque razão é que temos que ser nós a mudar e não os brasileiros, eles é que não tiveram inteligência suficiente para aprender a lingua correctamente, e agora por causa disso somos nós que temos que aprender a nossa lingua novamente? Como é que vamos pôr nas cabecinhas das nossas crianças que a maneira como aprenderam a escrever agora já não é a correcta. Quanto a mim vou continuar a escrever como sempre escrevi, sou portuguesa não sou brasileira…

O comentário fez- me rir, já que é contraditório em si mesmo. Segundo essa pessoa anônima os “burros brasileiros” não conseguiram aprender o idioma português, mas agora as crianças portuguesas também não irão aprender a nova ortografia…então, são burras também?! Claro que não. Nem brasileiros nem os portugueses são “burros”. A portuguesa do comentário deve ter faltado à aula de variação linguística na escola. Cada cidade (portuguesa, brasileira ou africana), cada país falante do português tem suas próprias idiossincrasias, seus regionalismos, seus neologismos…puro preconceito linguístico o pensamento dessa senhora.

Essa pessoa pode escrever como quiser, mas de acordo com as novas regras vigentes, estará escrevendo errado…também diria que a época da colonização acabou faz tempo e que quem impõe as mudanças são os próprios falantes, e como os brasileiros são mais de 180 milhões… O português brasileiro é mais ágil, mais fácil de ser entendido pelos estrangeiros e mais atualizado nesse sentido, de acordo com os novos tempos e demandas.

Fora os preconceitos linguísticos dos portugueses ( que chegam tocar os raciais em muitos casos), o ranço colonialista e a resistência às mudanças naturais da sociedade e  a evolução natural do idioma levou a essa (ainda) tentativa de unificação da LP para um fortalecimento frente à comunidade internacional. A nova ortografia é fato (ou “facto” permitida grafia dupla) consumado. Quer gostem ou não. Entendido? Escrevi em português ou brasileiro?


O Haiti não é aqui…


….nao é mais o Brasil. Graças a Deus não é mais Caetano, como disse o meu amigo Paolo do Flickr. Deixo o texto dele aqui, que é tudo o que penso também:

“O país que está mais ajudando as pessoas no Haiti, é o nosso. Se não fosse a força de paz do nosso exercito lá… as coisas estariam muito piores! Já estamos mandando aviões cheios de água e comida também. Dois hércules C-130 decolaram aqui do Recife. Só a nossa ajuda já vai estar em 15 milhoes, para ter uma idéia, o Reino unido vai mandar 10 milhões. Um porta aviões dos americanos vaichegar hoje, lá. Só para ter uma idéia das desigualdades do mundo… só um porta aviões americano tem 5000 pessoas na tripulação e pode dar conta de todo o atendimento médico de um país… incrivel. Toda desgraça propicia uma mudança e espero que pelo menos isso realmente mude. Refiro-me às condições políticas no Haiti. Felizmente o Caetano está finalmente errado, o Haiti não é aqui. Temos toda a violencia… desigualdades sociais, viciados que alimentam mais violencia, mas a fome está diminuindo, não tivemos crise financeira, os empregos estão crescendo, e… … … não temos terremoto, ou nevascas… temos sim nossa cerveja gelada num fim de tarde… olhando o mar, porque hoje é sexta, e eu também sou filho de Deus; melhor ainda… sou de Salvador…” (Paolo, Flickr)

O que você faz com os livros que não quer mais?


Eu sempre dôo. Os últimos, cerca de 50 livros, doei para a Biblioteca Municipal de Arroyomolinos (Madri); também já distribui entre amigos e uma  vez no Brasil vendi alguns livros de teoria da literatura, antes de vir morar na Espanha. Coloquei um anúncio na Internet e veio uma colega buscá- los. Livros inclusive com autógrafo dos autores, como Massaud Moisés, um teórico de literatura.

Agora tenho uma nova remessa que quero e preciso me desfazer. Alguns são livros para colecionadores, como a série de “Conan”, do meu marido. Resolvi que tudo o que não é lido tem que ir embora para liberar espaço. Nesse sentido os e-books são superiores, pois não ocupam espaço e sao ecológicos.

Novamente vou recorrer à Internet, vamos ver se funciona.

E então, o que você faz com os livros que já leu e não quer mais?

Livros grátis online


Começando o Ano- Novo com algumas dicas de links bacanas sobre livros para baixar e o melhor, grátis. Não é nada ilegal, são livros livres de copyright, sem direitos de autor.

O Just Free Books é um buscador especializado em livros. Ele vai te levar a vários outros links que vão te ajudar a encontrar o livro desejado.

No site Gutenberg, que é a maior biblioteca virtual de livros gratuitos; há  poucos em língua portuguesa, a maioria  está  em inglês, só 10% em outros idiomas- coisa que vai mudar até 2020 com a inclusão livros em cem idiomas.

E temos o famoso Bookcrossing que consiste em liberar os livros que você já leu e não quer mais na sua estante. Funciona assim: há que se fazer um registro no site e registrar o livro e o lugar que vai deixá- lo;  também pode procurar saber os pontos já estabelecidos para isso na sua cidade e deixar os livros para que outras pessoas levem. E você pode  levar os que te interessam.

Também o excelente site do governo brasileiro Domínio Público com arquivos de texto, áudio e vídeo gratuitos, com muitas obras em português e outros idiomas.

Se você não gosta de ler no computador, pode imprimir e assim não ficar sem material de leitura. Aproveite!