Na época em que eu estudava na universidade, representamos a obra “Morte e vida severina”, de Joao Cabral e sua presença continua viva na minha memória.

Em um longo e intenso texto escrito em versos, o autor conta a saga dos nordestinos do Brasil, da seca, da morte, da sina a que sao submetidos diariamente. O personagem principal “Severino”, representa a força e a sorte do homem sertanejo à mercê da natureza; esse homem só pode contar com as suas crenças, a sua fé e solidariedade. Povo que divide o que nao tem,  ajuda a quem precisa. Severino passa a ser adjetivo, ele representa os “severinos” do sertao nordestino, os severinos que estao acostumados a lidar com a morte no seu dia a dia, mas que celebram a vida e a esperança que insiste em brotar em cada nascimento:

— Severino retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina;
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.

Clique aqui para ler texto na íntegra.

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1 comentário »

  1. Lembrei-me com muita saudade e ternura de um amigo chamado Nadinho / Nadim, então estudando engenharia, levemente gordo (levemente), e que simplesmente amava este trecho aí abaixo, musicado pelo Buarque de Holanda… sim, lembro-me de que nos encontrávamos todos os dias, durante alguns anos, no bar do Celso, no centro de BH (Guajajaras com Goiás), e eu tinha, entre muitas outras, de tocar essa música, todos os dias, acompanhando-o cantar “Essa cova em que estás / com palmos medida / É a conta menor / Que tiraste em vida […]

    Nunca mais vi o meu dileto amigo, engenheiro-cantor de MPB.

    Abraço, e bom domingo.
    Darlan

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