Reforma Ortográfica no Brasil


O objetivo* do Acordo Ortográfico que entrou em vigor no Brasil em janeiro desse ano, é padronizar a língua.

Na prática, isso é possível? Oralmente, impossível. Ortograficamente, mais ou menos, o que acaba ficando tudo na mesma, porque se duas formas gráficas sao aceitas(BR)/aceites(PT), entao o que muda na prática afinal?Alguns poucos acentos e muito dinheiro gasto com as novas ediçoes corrigidas.

Perguntei  recentemente à uma amiga professora de português no Brasil como andava a nova ortografia na sua sala de aula. E ela me respondeu: “Que nova ortografia?!” Choque. Quase 9 meses que o Acordo está em vigor e essa professora continua com a “velha” ortografia. Pior, nem sabia da existência da nova…

E Portugal será ainda mais resistente às mudanças. Os países europeus sao mais conservadores que os americanos em relaçao aos seus idiomas. Vai hacer resistência. Vamos ver o que acontece quando o Acordo começar em janeiro de 2010  (segundo o Ministro da Educaçao) em terras lusas. Isto é, se isso chegar a acontecer. Em Lisboa nem se toca nesse assunto, como se nao existisse.

*Nunca se sabe se é isso mesmo ou se é algo que fica oculto para a populaçao, algum outro tipo de interesse, como o financeiro, que nos tempos atuais é o que move o mundo.

Anúncios

Grupo “Books”, do Flickr.


Um grupo com fotos de livros e tudo relacionado ao mundo literário com morada no Flickr, que nao é só um site de hospedagem de fotos, mas também um lugar para aprender sobre fotografia, além de conhecer gente muito bacana:

Conheça o grupo “Books”.

Morte e vida severina, João Cabral de Melo Neto


Na época em que eu estudava na universidade, representamos a obra “Morte e vida severina”, de Joao Cabral e sua presença continua viva na minha memória.

Em um longo e intenso texto escrito em versos, o autor conta a saga dos nordestinos do Brasil, da seca, da morte, da sina a que sao submetidos diariamente. O personagem principal “Severino”, representa a força e a sorte do homem sertanejo à mercê da natureza; esse homem só pode contar com as suas crenças, a sua fé e solidariedade. Povo que divide o que nao tem,  ajuda a quem precisa. Severino passa a ser adjetivo, ele representa os “severinos” do sertao nordestino, os severinos que estao acostumados a lidar com a morte no seu dia a dia, mas que celebram a vida e a esperança que insiste em brotar em cada nascimento:

— Severino retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina;
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.

Clique aqui para ler texto na íntegra.

Lançamentos literários


Depois de ler “O rapaz do pijama às riscas”, de Jhon Boyne, que me deixou com mau sabor na boca, o autor lançou “O garoto no convés”. Pra vocês verem que o negócio do escritor é mesmo com os meninos, ele tenta imitar a fórmula do primeiro livro, inclusive na capa que é muito parecida. Como a originalidade nao é o seu forte, deve ser mais uma  imitaçao de alguma obra já consagrada.

garoto

Um livro bem mais bacana e original é o “Leite derramado”, do Chico Buarque, que parece que vem se dedicando mais à literatura que à música ultimamente. Um livro curto (200 págs) e que narra a saga de uma família tradicional brasileira  dentro de um contexto social relatado baixo uma  visao realista e pessimista. Melhor comprar livros de escritores que sabem e entendem de literatura. Com certeza é uma obra que deve ter uma linguagem rica e bem escrita e uma trama bem amarrada.

chico

“O vendedor de sonhos e a Revoluçao dos anônimos”, de Augusto Cury, uma trama interessante dentro do  gênero da literatura fantástica, o Mestre que vende sonhos continua a saga que começou com “O vendedor de sonhos”.

sonhos

A língua portuguesa, ” última flor do Lácio”


Língua Portuguesa (Olavo Bilac)


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Lô Borges, atemporal


Esses meninos mineiros e suas músicas maravilhosas.

A geraçao Clube da Esquina (leia- se entre outros Milton Nascimento, Flávio Venturini e Beto Guedes)  levou poesia em forma de música para todo o Brasil,  mostrando desde a década de 70, que a música pode ser refinada, poética, metafórica, de bom gosto e cair no gosto popular.

Lô Borges (o Salomao Borges Filho) com 35 anos de carreira, mais letra que voz, uma estrela da MPB mostrou- nos seu Universo Paralelo “que tudo pode virar cançao na curva de um rio”. E assim, “lá se vai mais um dia” com encanto e poesia:

Lô  e seus acordes mágicos canta  um Girassol da Cor do Seu Cabelo, como um pedido, uma súplica, uma mensagem “você ainda quer dançar comigo?”, e o piano chora “Será tarde demais?”:

Seu mais recente trabalho é o cd “Bhanda” de 2007 em uma clara referência à capital mineira de Belo Horizonte.

Aniversário de Cora Coralina


Ela faria 120 anos ontem, uma leonina de 20 de agosto, que mostrou toda a sua força e sina de mulher na sua poesia:

Assim eu vejo a vida…

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver
. *

Ana Lins dos Guimarães Peixoto, a Cora Coralina, nasceu em Goiás e a casa em que viveu durante muitos anos hoje é um museu. Casou com um advogado e foi morar no interior de Sao Paulo, onde teve os seus seis filhos.

cora

Obras de Cora Coralina

– Estórias da Casa Velha da Ponte
– Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais
– Meninos Verdes (infantil)
– Meu livro de cordel
– O Tesouro da Casa Velha
– Vintém de Cobre
– A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu (Infantil)
– Cora Coragem Cora Poesia (biografia escrita por sua filha Vicência Bretas Than)

NÃO SEI…

Não sei… se a vida é curta…
Não sei…
Não sei…
se a vida é curta
ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura…
enquanto durar.

* Poema 1 visto  no Flickr da Mariene Simoes

* Foto: vilaboadegoias.com.br

* Poema 2: www.opensador.info