Para quê os homônimos e os parônimos?!


É curiosa essa nossa língua portuguesa, complicada muitas vezes, mas só porque querem.

No último livro do Saramago, “A viagem do elefante”, eu notei a palavra “espectadora”  numa frase que fazia referência à “rainha catarina”, escrita assim mesmo em minúscula: “(…) ela participa regularmente nas reuniões de estado, onde nunca se comportou como passiva espectadora“. (p.28)*

Falando nele, adoro Saramago justamente porque ele é um transgressor das regras gramaticais, como no caso do nome da rainha citado acima, e dos seus diálogos que não têm pontuação e não fazem falta. Isso prova que há um excesso de regras desnecessárias.

Eu acho muito sutil a diferença de significado entre espectador, que é aquele que assiste a um concerto, à uma peça de teatro, à televisão, enfim o que assiste a qualquer coisa….e expectador é aquele que espera algo, que tem expectativa. De certa maneira os dois esperam algo, quem assiste e quem tem expectativa. Eu acho que devia ser expectativa tanto para expectador quanto para espectador. Ficava mais simples e fácil.

Na língua portuguesa existem palabras homônimas e parônimas demais que causam confusão, uma bobagem do nosso idioma. Eu reformularia o léxico nesse sentido, pois facilitaria a escrita e a vida de estudantes e leitores.

As palavras com mesmo significado ou significados parecidos deveriam se fundir. Pronto.  As que têm a mesma grafia com significados diferentes deveria desaparecer uma das duas e para a “desaparecida” usaríamos um sinônimos  para não haver confusão. Por exemplo,  duas que são  homônimas imperfeitas ( porque tem o mesmo som, com grafia diferente):

Intenção: propósito
Intensão: intensidade ou força

Como de “boas  intenções o inferno está cheio”, intenção é a palavra mais conhecida das duas e  eu a manteria, e com “intensão” eu simplesmente a tiraria do dicionário. Intensão não é força? Pronto, usaríamos força.

O simples é que é o difícil.

* Saramago, José. A viagem do elefante, Caminho, 2008.

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Notícias literárias: Pessoa e Saramago


No jornal português “Diário de Notícias” de ontem, duas notícias literárias interessantes: o leilão dos objetos do maior poeta português de todos os tempos, Fernando Pessoa, provocou polêmica e uma possível briga judicial entre “herdeiros, autoridades e estudiosos” (p. 46) por causa do espólio do escritor.

A sobrinha do escritor, Manuela Nogueira, acha que existe um complô contra a família por parte de Rui Pereira, diretor municipal da Câmara de Cultura de Lisboa que interrompeu o leilão de 25 lotes que, segundo ele, pertencem à essa instituição.

A sobrinha diz que deu o material para ser digitalizado, mas não pensava que estavam sendo vendidos. Manuela disse que o governo português deveria estar agradecido, pois foi graças à família que abriu ao público a arca onde o “tio Fernando” guardava seus escritos é que todos tiveram acesso à obra do escritor e que tudo foi comprado em 1978/9 por um preço exíguo.

A outra reportagem é sobre José Saramago que fala do seu novo livro “A viagem do elefante”, que comecei a ler e estou achando muito bom, e conta detalhes da sua doença que quase o impediu de escrever o livro. O escritor realmente passou muito mal, ficou meses apático, sem saber ao certo o que lhe acometia, com muitas idas ao médico e poucos resultados, até com um remédio “estranho” e a força da sua mulher Pilar, conseguiu vencer a doença e terminar o livro. Ainda bem.

Leituras


Estou a ler vários livros ao mesmo tempo e não estou concentrando- me em nenhum deles. Ando dispersa. Hoje vou fincar o pé e tentar terminar o surpreendente livro, ” Comer, rezar e amar”, da Elizabeth Gilbert. A autora foi entrevistada no programa da Oprah Winfrey e a partir disso fiquei interessada. O título deixa a impressão de que é auto- ajuda, mas não existe nele fórmula alguma de felicidade fácil (apesar de ter ajudado à muitas mulheres pensarem nos seus próprios problemas e a buscar soluções).

A história é baseada na vida da autora, que depois de um divórcio dolorido, depressão e solidão, apaixona- se por outro homem que também é um desastre. Ela decide tirar um ano sabático e vai para a Itália aprender italiano, ela tem paixão por esse idioma. Não fui muito  além disso, depois eu conto mais.

Também ando follheando ” 99 cartas de amor”, uma coletânea de cartas de escritores, músicos, políticos, gente falecida e que deixou marcas. Uma que me impressionou foi a da Virgínia Woolf para o seu marido: um bilhete de despedida muito emotivo que ela deixou antes de suicidar- se. Depois eu a transcrevo aqui.

Fora a coleção da escritora espanhola Lucía Etxevarría, que estou lendo para um trabalho. É uma escritora que eu gosto muito porque a sua escritura é bem atual e descreve as dores e delícias da mulher pós- moderna.

O tópico “Leituras” aqui do blog está desatualizado, vou arrumando aos poucos.