Veronika decide morrer, Paulo Coelho


Paulo Coelho não pode ser considerado um escritor canônico, pois a linguagem utilizada em seus livros é simples, coloquial demais, carece de tropos, linguagem mais elaborada, mas os temas que aborda são sempre interessantes, tocam na alma das pessoas e isso acaba superando a falta de ingênio literário; assim acontece com “Verônica decide morrer”.

A história começa pesada, triste: Veronika decide morrer e tenta o suicídio com tranquilizantes. Tomou duas caixas e ficou esperando a morte chegar. Quais são os pensamentos de uma pessoa que está provocando a própria morte e sabe que vai morrer depois de uns minutos?

A tentativa falhou. Ela não morreu, mas foi internada num hospício. Antigamente era assim que faziam com os depressivos no Brasil, eram internados como loucos. Com o próprio Paulo Coelho aconteceu isso, só que ele nem deprimido estava, era só um adolescente rebelde. Ele prometeu que ia escrever sobre o tema, mas só depois que os seus pais morressem, pois sentiam muito arrependimento e Paulo não queria vê- los sofrer.

“Veronika decide morrer”, Paulo Coelho, ed. Pergaminho, Portugal.

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Luto


Ontem foi um dia trágico, ruim: a tia Estrella partiu (depois de uma longa e dolorida doença) e ontem também, um aviao da Spanair caiu aqui em Madri, matando a 153 pessoas. Há sobreviventes e aqui deixo um relato de vida, de uma médica que conseguiu se salvar. É o tipo de história difícil de se ouvir, já que em acidentes desse tipo, com explosao e incêndio, é difícil sobreviver alguém. 

Que Deus conforte o coraçao de todas as famílias, mesmo os que nao acreditam.

Faleceu Dorival Caymmi


“É bom
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã”

Ele que imortalizou esses versos do poeta Vinícius, com sua voz pura-poesia, com ar de maresia da Bahia, decidiu ir embora no Rio de Janeiro.

Ele que cantou todas as meninas, as Marinas Morenas, que embalou a minha juventude de amar-mar-sonhar e que nunca esqueceu da sua terra natal com a música “Saudades da Bahia”; também mostrou pro Brasil (e pro mundo) “o que é que a baiana tem?”:

Como dizer adeus a Dorival Caymmi?

Gente assim nunca morre.

Cantarei até que a voz me doa


Para Maria Vieira da Cunha que estava a procurar esta música da portuguesa Maria da Fé:

Até Que a Voz Me Doa (Maria da Fé)

Cantarei até que a voz me doa
Pra cantar, cantar sempre meu fado
Como a ave que tão alto voa
E é livre de cantar em qualquer lado

Cantarei até que a voz me doa
Ao meu país, à minha terra, à minha gente
À saudade e à tristeza que magoa
O amor de quem ama e morre ausente

Cantarei até que a voz me doa
Ao amor, à paz cheia de esperança
Ao sorriso e à alegria da criança
Cantarei até que a voz me doa

Tava nesse site aqui.

Carlos Heitor Cony


Uma das personalidades da literatura brasileira mais interessantes que existem na atualidade é o carioca Carlos Heitor Cony.

foto: Folha de SP

Cony passou a ser conhecido do grande público brasileiro, quando a apresentadora do Mais Você, Ana Maria Braga, lia suas crônicas ao iniciar o programa. Ainda não terminei de ler o livro “Quase memórias (quase novela)”, o que é um mal sinal, pois quando demoro demais para ler um livro é porque não está conseguindo prender a minha atenção.

Estou lendo a versão em espanhol (prefiro ler o original, também é verdade; as traduções geralmente são muito ruins) “Casi memorias (casi novela)”, da editora Bruguera: o livro trata de recordar o pai do autor. Muito descritivo e cansativo às vezes. Através dele soube que Cony foi seminarista, que o pai tinha um tique nervoso e que era jornalista como ele foi depois que saiu do seminário. Acho que como novelista, ele é um grande cronista:

Aqui uma lista de crônicas, algumas interessantes, outras nem tanto, do Cony escritas para a Folha Online.