João Ubaldo Ribeiro ganha prêmio Camões 2008


O concurso literário mais importante da língua portuguesa na atualidade é o Camões, com um prêmio de 100 mil euros para o autor escolhido, que esse ano foi o brasileiro (baiano) João Ubaldo Ribeiro.

A lista dos vencedores:

1989 Miguel Torga (Portugal, 1907-1994)
1990 Joao Cabral do Melo Neto (Brasil, 1920-1999)
1991 José Craveirinha (Mozambique, 1922)
1992 Vergilio Ferreira (Portugal, 1916-1996)
1993 Rachel de Queiroz (Brasil, 1910-2003)
1994 Jorge Amado (Brasil, 1912-2001)
1995 José Saramago (Portugal, 1922)
1996 Eduardo Lourenço (Portugal, 1923)
1997 “Pepetela” Artur Carlos Mauricio Pestana dos Santos (Angola, 1941)
1998 Antonio Candido (Brasil, 1918
1999 Sophia de Mello Breyner (Portugal, 1919-2004)
2000 Autran Dourado (Brasil, 1926)
2001 Eugenio de Andrade (Portugal, 1923-2005)
2002 Maria Velho de Costa (Portugal, 1938
2003 Rubem Fonseca (Brasil, 1925)
2004 Agustina Bessa-Luis (Portugal, 1922)
2005 Lygia Fagundes Telles (Brasil, 1923)
2006 Luandino Vieira (Angola, 1935)
2007 Antonio Lobo Antunes (Portugal, 1942)
2008 João Ubaldo Ribeiro (Brasil, 1941)

O júri composto por professores universitários brasileiros e portugueses analisaram esse ano só obras de escritores brasileiros. O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), o escritor  José Jorge Letria elogiou a escolha, mas questionou o porquê da exclusão de Portugal:

Sobre a decisão do júri de só analisar no concurso deste ano escritores brasileiros, o dirigente disse que devem ser apresentadas as razões para este “regime de exceção”.

“Se não forem apresentadas razões parece-me injustificável. Em abstrato não me parece haver justificação. Espero que o júri apresente razões. Não me parece aceitável esse regime de exceção”, disse, em declarações à Agência Lusa.

José Jorge Letria salientou a importância de ser dada uma justificação para esta questão, por considerar que a forma como foi estabelecido o novo acordo ortográfico “fez desequilibrar os pratos da balança a favor dos brasileiros”. (fonte: UOL)

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A nova ortografia do português


Já foi promulgada pelo presidente português Cavaco Silva, a nova ortografia da língua portuguesa, portanto, oficialmente já vale a nova maneira de escrever o português em Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe (que já haviam assinado o acordo); falta Timor Leste que na altura da proposta ainda não era um estado soberano. Leia notícia aqui.

Espero que as editoras estejam atentas para começar já as novas publicações com a nova ortografia.

Veja o que mudou:

HÍFEN

Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em “antirreligioso”, “antissemita”, “contrarregra”, “infrassom”. Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, “hiper-“, “inter-” e “super-“- como em “hiper-requintado”, “inter-resistente” e “super-revista”
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: “extraescolar”, “aeroespacial”, “autoestrada”

TREMA
Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados

ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar:
1. “pára” (flexão do verbo parar) de “para” (preposição)
2. “péla” (flexão do verbo pelar) de “pela” (combinação da preposição com o artigo)
3. “pólo” (substantivo) de “polo” (combinação antiga e popular de “por” e “lo”)
4. “pélo” (flexão do verbo pelar), “pêlo” (substantivo) e “pelo” (combinação da preposição com o artigo)
5. “pêra” (substantivo – fruta), “péra” (substantivo arcaico – pedra) e “pera” (preposição arcaica)

ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k”, “w” e “y”

ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus derivados. A grafia correta será “creem”, “deem”, “leem” e “veem”
2. em palavras terminados em hiato “oo”, como “enjôo” ou “vôo” -que se tornam “enjoo” e “voo”

ACENTO AGUDO
Não se usará mais:
1. nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia”
2. nas palavras paroxítonas, com “i” e “u” tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: “feiúra” e “baiúca” passam a ser grafadas “feiura” e “baiuca”
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i”. Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem

GRAFIA
No português lusitano:
1. desaparecerão o “c” e o “p” de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como “acção”, “acto”, “adopção”, “óptimo” -que se tornam “ação”, “ato”, “adoção” e “ótimo”
2. será eliminado o “h” de palavras como “herva” e “húmido”, que serão grafadas como no Brasil -“erva” e “úmido”

(fonte: UOL)

O menino de pijama listrado, de John Boyne


Ler é um exercício prazenteiro, mas também pode não ser. Ler certas coisas muitas vezes é um verdadeiro exercício de resistência.

As editoras têm um grande desafio nas mãos que é o de lançar livros que despertem interesse. Fenômenos como Harry Potter são muito improváveis de acontecer. As pessoas querem rapidez e ler exige tempo, às vezes muito tempo, que elas não dispõem. Muitos leitores não saem das primeiras páginas e acabam indo pra internet, que é mais fácil e rápido. Perder tempo é perder dinheiro, e o dinheiro é o que mais vale hoje em dia (pelo menos é o que parece).

Portanto, perder tempo com uma má leitura é um sacrifício que não vale a pena mesmo. E um livro como é o “Rapaz do pijama às riscas” (“The Boy In the Striped Pajamas”, “El Niño Con El Pijama de Rayas”) de John Boyne, é um mau investimento- porque ler é isso- um investimento.

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O livro é vazio de conteúdo, profundamente aborrecido, mal narrado, mal argumentado, com um enredo fraquíssimo. A única coisa que ele tem é um excelente plano de marketing, porque está em todos os lugares como sendo um livro espetacular, o mais vendido, etc., tanto que acabei comprando por cansaço, mas sabia que esses livros com propaganda massiva, geralmente não são bons.

A historinha é assim: um menino de 9 anos, chato- de- galocha, vive em Berlim com a irmã mais velha, os pais e quinhentos mil criados numa mansão. O menino é feliz, cheio de amigos e adora escorregar pelo corrimão. Depois, o pai que é nazista, recebe uma ordem do Hitler, e tem que levar a família para morar num campo de concentração na Polônia. O menino, tadinho, que é a ingenuidade em pessoa, tão, mas tão ingênuo que tudo passa a ser absurdo, sem nenhum ponto aonde o leitor possa se agarrar para acreditar na história, vê o pai com uniforme, mas não sabe a profissão que ele tem, faz o gesto do nazismo que o pai ensinou, mas também não sabe o que significa, não sabe o que são os judeus, nem o campo de concentração onde ele passa a viver, nem sabe quem são aquelas pessoas vestidas de “camisola às riscas”, tão sujas, crianças que não se pareciam com ele e que ele não gostaria de brincar. A pobre criança não sabia a diferença entre uma roupa de prisioneiro e uma de soldado. Nossa, como eram ingênuas as crianças alemãs!

Até mais da metade do livro é só o menino dizendo que não gosta da nova casa e que quer voltar pra velha . Repetitivo até a medula.

O autor, John Boyne, é um irlandês de 36 anos:

O “culpado”

Totalmente dispensável. Quer ler um excelente livro sobre o holocausto? “Sem destino”, Imre Kertész.

UPDATE (19-06-10): Recebi comentários ofensivos em relação a esse post, que foram devidamente deletados, por isso peço que sejam mais tolerantes, que aceitem a opinião alheia. Eu não gostei do livro, mas tenho que concordar que para leitores iniciantes nesse tema do holocausto, para adolescentes, o livro cumpre a sua função.

Concurso de ensaios sobre Oscar Niemayer


Oscar Niemayer (clique aqui para ver a fundaçao Oscar Niemayer) é o arquiteto brasileiro mais internacional, consagrado por suas obras originais, criativas, inovadoras. Foi o arquiteto que projetou Brasília, a capital do Brasil e que mais recentemente fez um projeto arrojado, um edifício futurista, o Mac (Museu de Arte Contemporânea que fica em Niterói, no Rio de Janeiro).

Oscar vai fazer 100 anos e a Universidade do Porto lançou um concurso de ensaios para comemorar a data, destinado a estudantes brasileiros e portugueses, ao que transcrevo abaixo:

No âmbito da celebração do 100º aniversário de Oscar Niemeyer a Faculdade de Arquitectura lança um concurso para elaboração de um texto de reflexão teoria/crítica, em português, aberto a todos os estudantes de arquitectura de faculdades portuguesas e brasileiras e a todos os estudantes da Universidade do Porto.

OBJECTIVO
Elaboração de um texto original (não publicado) de reflexão sobre a obra e/ou vida de Oscar Niemeyer.

APRESENTAÇÃO
O texto não poderá exceder os 7.500 caracteres (notas e eventuais legendas incluídas); o título será destacado; fonte Times New Roman 12; a 1, 5 espaços; justificado.
Serão entregues cinco impressões do ensaio (texto e imagens) em papel A4 branco; todas as páginas serão identificadas pelo mesmo número de código no canto superior direito e numeradas (1/x, 2/x(…), x/x) no canto inferior direito.
Imagens (facultativo): as imagens ou serão directamente integradas no corpo do texto ou se forem enviadas em folhas próprias, estas deverão ser numeradas e identificadas pelo mesmo número de código, acompanhadas ou não de legenda(s).

DATA LIMITE
A data limite para entrega dos ensaios é 15 de Setembro de 2008 (carimbo dos correios).

MAIS INFORMAÇÕES:
Serviço de Relações Públicas e Internacionais
Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto
T: +351 22 605 71 03/15
F: +351 22 605 71 98
Email: sre@arq.up.pt
http://sigarra.up.pt/faup/noticias_geral.ver_noticia?P_NR=566

Acervo de obras digitalizadas de domínio público


O site do governo brasileiro “Domínio público” é uma biblioteca virtual com e-books completamente gratuitos que vc pode copiar no seu computador. O acervo é muito rico e possui obras dos maiores escritores brasileiros  e estrangeiros falecidos há mais de 70 anos (de acordo com a lei de domínio público). Nao só livros, mas o site disponibiliza também arquivos de som e imagens, como música erudita brasileira e vídeos nos diversos ramos da ciência, letras e artes.

Veja o site Domínio Público aqui.

Centenário da morte de Machado de Assis


Esse ano completa cem anos da morte de um dos escritores mais consagrados da língua portuguesa: Joaquim Maria Machado de Assis é um escritor brasileiro (21/06/1839, Rio de Janeiro- 29/09/1908, Rio de Janeiro). Era gago, sofria ataques epiléticos, com uma saúde frágil e de uma família humilde, filho de um descendente de africanos e de uma portuguesa, conseguiu transformar- se num profundo conhecedor da língua portuguesa de uma maneira autodidata, pois frequentou apenas o curso primário.

Gostava de aprender e se empenhava nisso: aprendeu francês com uma senhora francesa dona de uma padaria e tinha o apoio da madrinha “D. Maria José de Mendonça Barroso, viúva do Brigadeiro e Senador do Império Bento Barroso Pereira, proprietária da Quinta do Livramento, onde foram agregados seus pais”. (fonte: http://www.releituras.com)

Abaixo um vídeo- animado sobre a biografia de Machado de Assis:

O Museu da Língua Portuguesa, que fica na cidade de São Paulo (BR), já começou as comemoraçoes do centenário do escritor com uma exposição de fotos e com vídeos de leituras de sua obra.

Uma das obras mais conhecidas  e espetaculares do autor é Dom Casmurro.

Na Casa de América em Madrid existe a sala “Machado de Assis”, em homenagem ao escritor brasileiro, utilizada para reunioes e conferências.

BIBLIOGRAFIA:

Comédia

Desencantos, 1861.
Tu, só tu, puro amor, 1881.

Poesia

Crisálidas, 1864.
Falenas, 1870.
Americanas, 1875.
Poesias completas, 1901.

Romance

Ressurreição, 1872.
A mão e a luva, 1874.
Helena, 1876.
Iaiá Garcia, 1878.
Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881.
Quincas Borba, 1891.
Dom Casmurro, 1899.
Esaú Jacó, 1904.
Memorial de Aires, 1908.

Conto:

Contos Fluminenses,1870.
Histórias da meia-noite, 1873.
Papéis avulsos, 1882.
Histórias sem data, 1884.
Várias histórias, 1896.
Páginas recolhidas, 1899.
Relíquias de casa velha, 1906.

Teatro

Queda que as mulheres têm para os tolos, 1861
Desencantos, 1861
Hoje avental, amanhã luva, 1861.
O caminho da porta, 1862.
O protocolo, 1862.
Quase ministro, 1863.
Os deuses de casaca, 1865.
Tu, só tu, puro amor, 1881.

Algumas obras póstumas

Crítica, 1910.
Teatro coligido, 1910.
Outras relíquias, 1921.
Correspondência, 1932.
A semana, 1914/1937.
Páginas escolhidas, 1921.
Novas relíquias, 1932.
Crônicas, 1937.
Contos Fluminenses – 2º. volume, 1937.
Crítica literária, 1937.
Crítica teatral, 1937.
Histórias românticas, 1937.
Páginas esquecidas, 1939.
Casa velha, 1944.
Diálogos e reflexões de um relojoeiro, 1956.
Crônicas de Lélio, 1958.
Conto de escola, 2002.

Antologias

Obras completas (31 volumes), 1936.
Contos e crônicas, 1958.
Contos esparsos, 1966.
Contos: Uma Antologia (02 volumes), 1998



Qual a trilha sonora da sua vida?


Eu tive várias que me acompanharam durante as diferentes fases da minha vida:

Da infância eu lembro de muitas músicas, em especial uma que o pai de um dos meus melhores amigos tocava no violão: “No woman no cry”, Bob Marley.

No woman no cry. Eu adoro Bob Marley, adoro mesmo. Sempre ouvi, sempre gostei. Esteve presente em todas as fases da minha vida, lembro do Morro do São Paulo, da praia do Conde, Itacaré, São Paulo…O Bob é tudo de bom!

Aos 13: Careless Whisper, George Michael, início de adolescência em São Paulo, época inesquecível com as minhas amigas paulistanas. O clip é super- engraçado, estilo anos 80, os cabelos, roupas; também “Como uma onda”, Lulu Santos:

Careless Whisper

Como uma onda, esse vídeo é muito bacana, foi do primeiro Rock in Rio. Época maravilhosa, a letra da música é profética. Grande ano, o de 1985.

Aos 15, 16 anos: “Você”, Os Paralamas do Sucesso, que embalou o meu primeiro amor, época em que eu achava que durava para sempre ( o amor dura, o que não dura sao as relaçoes):

Você

Com 18, 19 anos: dessa fase são muitas, época em que eu viajava com as amigas, íamos para o litoral baiano e ficávamos em luais na praia até de madrugada ouvindo música, também viajávamos para a Chapada Diamantina na Bahia, onde tomávamos banho de cachoeira, íamos “desbravar” cavernas, escalar montanhas e procurar cristais nos rios: “Dia Branco”, Geraldo Azevedo e “Qualquer coisa”, Caetano Veloso, “Linda juventude”, 14 Bis e muitas outras:

Dia Branco (Poesia pura, já assisti algumas vezes ao vivo os seus shows na Bahia, maravilhoso!)

Qualquer coisa ( Lembro da Ilha de Itaparica na Bahia, onde uns meninos que conhecemos na praia e estudavam música na UFBA, tocavam maravilhosamente bem)

Linda Juventude (essa íamos cantando no ônibus à caminho de Lençóis, Bahia)

Vou saltar pra atualidade, senão a lista fica muito comprida. As músicas que me acompanham no momento, são muitas, destaco uma: “Ain’t Got No…I’ve Got Life”, Nina Simone .

Ain’t Got No…I’ve Got Life, me acompanha já há uns dois anos, a letra é maravilhosa. Essa versão que a Nina fez tá um espetáculo ! Adooooro!!